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Inteligência artificial, privacidade de dados, multicloud e novas ameaçasdefinem tendências da agenda de TI e negócios digitais em 2018

Aplicações cognitivas, multiplicidade de interações entre pessoas e sistemas, blockchain e novos desafios de compliance marcam próximos passos da transformação digital

Nos últimos dois anos, tecnologias antes restritas a iniciativas experimentais ou de líderes em inovação passaram a permear o dia a dia dos negócios. Ao mesmo tempo em que se consolidam as mudanças na estrutura de serviços, aplicações de Inteligência Artificial entram em produção, se aceleram os projetos em áreas como IoT (Internet das Coisas) e blockchain, além de se ampliarem as formas de comunicação com colaboradores e clientes.

Inteligência artificial permeia mudanças em várias áreas

Jay Gumbiner, vice-presidente da IDC Latin América, observa que a Inteligência Artificial é transversal a várias inovações. “Até 2020, funções de IA serão usadas em 40% dos robôs industriais e na estrutura de cibersegurança de 60% das corporações mundiais”, afirma. “A IDC projeta para 2020 um investimento de US$ 358 milhões em sistemas cognitivos na América Latina, liderado pela indústria financeira, com 37%”, prevê Jeronimo Piña, gerente de soluções de software e nuvem da consultoria.

Conforme um levantamento dos projetos de Inteligência Artificial nos bancos brasileiros, as iniciativas têm duas vertentes de destaque: uso da capacidade de autoaprendizagem (machine learning) em analytics; e interações com linguagem natural.

“As companhias devem focar nas aplicações que habilitem resultados ao negócio. As questões genéricas sobre Inteligência Artificial e outros impasses podem ficar por conta dos pesquisadores e autores de literatura científica”, comenta David Cearley, vice-presidente do Gartner. Robert Hetu, vice-presidente de pesquisas, antevê uma fase de ajustes na aplicação e nas expectativas. “Os varejistas conseguirão reduzir os custos com operadores de caixa e outras funções transacionais. Mas precisam investir em aplicações e treinamento para as pessoas que interagem com o cliente”, exemplifica.

A humanização da experiência digital

O amadurecimento das plataformas de reconhecimento de fala natural, machine learning e outros recursos de computação cognitiva deve incorporar essas tecnologias às aplicações de comunicação e relacionamento. A entrega dessa inteligência, contudo, tem que se adaptar de forma mais ampla e dinâmica às preferências e mudanças de hábito de cada segmento do público.

Nos canais tradicionais, como telefone e web site, a combinação de recursos de chatbot e atendimento assistido muda completamente a experiência de interação. Embora o núcleo da “inteligência de serviços” deva ser comum a todos os canais, na área de mobile há o desafio de acompanhar as mudanças no modo de uso. Por exemplo, há pouco mais de um ano, a publicação de um front end na loja de aplicativos era uma estratégia generalizada. À medida que os smartphones ficam saturados com apps instaladas, opções como desenvolvimento em HTML 5 são retomadas. Hoje, muitos clientes, e algumas vezes os próprios funcionários, querem interagir por meio de sistemas de mensagens.

A capacidade de capturar informações de múltiplos canais, além de outras fontes, é um fundamento da computação cognitiva. No sentido inverso, a plataforma de Inteligência deve responder a quem quer “conversar com a URA” ou trocar mensagens durante o dia. Assim, estratégias relacionadas a padrões abertos, arquitetura e interoperabilidade passam a ter desdobramentos bem tangíveis no futuro do negócio nos próximos anos.

Inteligência e contrainteligência em segurança

A capacidade de lidar com grandes volumes de dados e fazer várias correlações entre eles, recursos cognitivos, como análise comportamental, passam a compor as soluções de segurança. No entanto, os criminosos tendem também a usar machine learning e outras técnicas para entender os mecanismos de defesa e adaptar seus métodos de dissimulação.

Os ataques aos dados e a corrida para atender à legislação europeia

Os incidentes da Equifax e da Uber antecipam uma tendência de ataques a grandes “agregadores”. Além do valor de suas informações sobre clientes, os riscos são agravados pelo próprio modelo de negócios, sustentados em APIs e prestação de serviços a outros sistemas. Com isso, essas empresas têm muitos pontos de entrada e saída em seus sistemas, o que multiplica as potenciais vulnerabilidades.

Junto à intensificação de ataques de ransonware e outras ameaças, as organizações têm ainda o desafio de apresentar conformidade à GDPR (Regulação Geral de Proteção de Dados), vigente a partir de 2018. Embora seja uma legislação da União Europeia, as pesadas regras e penalidades se aplicam a qualquer um que detenha qualquer dado sobre cidadãos daquele ou naquele continente. Portanto não atinge apenas as empresas que operam diretamente na Europa. Por exemplo, se um prestador de serviços gerenciados faz o monitoramento de redes, servidores ou base de dados, passa a estar sujeito à GDPR.

IoT e blockchain na mira do crime

Enquanto o número de dispositivos conectados deve crescer cerca de 30% em 2018, o volume de malware para plataformas de Internet das Coisas (IoT) deve dobrar. Dispositivos de consumo, com exceção dos carros, são mais difíceis de serem atacados, mas incidentes que afetem infraestruturas de logística ou gestão automatizada podem ter efeitos em larga escala. Ataques a redes elétricas, refrigeradores de alimentos e outras máquinas conectadas colocam em risco não apenas dados pessoais e comerciais, mas a própria segurança pessoal.

Na área de blockchain, até agora não é factível, em termos técnicos e econômicos, que os cibercriminosos consigam quebrar a criptografia da bitcoin. Como é matematicamente difícil “falsificar dinheiro”, os ataques se direcionam à infraestrutura envolvida no armazenamento e nas transações com blockchain. Os incidentes relacionados a roubo a pessoas e custodiantes dos tokens de valor, assim como o sequestro de máquinas para mineração, devem se intensificar.

À medida que a bitcoin e outras criptomoedas têm um valor monetário relativo (taxa de câmbio para moedas fiduciárias, como dólar ou real), poderemos ver também uma aproximação dos cibercriminosos aos tubarões do mercado financeiro, como, por exemplo, ataques de DDoS e ransonware para gerar crises de liquidez e manipular as cotações.

Serviços e dados em várias nuvens

“O multicloud será padrão no próximo ano”, afirma Jay Gumbiner, vice-presidente da IDC. “Gerenciamento e integração de serviços em múltiplas nuvens vai ser crítico. Os gestores de TI mudam sua atuação, que deixa de ser orientada à execução de projetos e passa a ser uma habilitadora de soluções em nuvem”, diz.

“Mais de 30% dos gastos atuais em TI não fazem parte do orçamento do departamento, mas a responsabilidade geral por apoiar essas iniciativas permanece com a TI tradicional. Gerenciar os provedores, fluxos de trabalho e novos tipos de ativos neste ambiente híbrido, independentemente de onde eles estão localizados, se tornará crucial para o sucesso da TI”, avalia David Cappucio, vice-presidente do Gartner.

Vanderlei Campos - Jornalista